A urticária aguda é uma condição relativamente comum na infância e costuma causar bastante preocupação nas famílias. As lesões avermelhadas, elevadas e pruriginosas (coceira intensa) surgem repentinamente e podem mudar de lugar ao longo do dia. Apesar do aspecto alarmante, na maioria dos casos, é uma manifestação benigna e autolimitada.
Mas afinal: quando devemos investigar com exames?
O que é a urticária aguda?
É chamada de aguda quando os sintomas duram menos de 6 semanas. Em geral, a duração é
de poucos dias, com resolução espontânea. Ela pode vir isoladamente ou associada a
angioedema (inchaço de lábios, pálpebras ou extremidades).
As causas mais comuns em crianças incluem:
● Infecções virais (a principal causa!)
● Reações a alimentos
● Reações a medicamentos
● Reações a picadas de alguns insetos (abelhas, vespas e formigas)
Precisa fazer exames?
De acordo com as diretrizes da ASBAI, na maioria dos casos de urticária aguda em crianças,
não é necessário solicitar exames laboratoriais de rotina. Isso porque a grande maioria dos quadros está associada a infecções virais leves, que se resolvem sem a necessidade de
investigação específica.
Quando considerar exames?
Os exames podem ser indicados em situações específicas, como:
● História sugestiva de reação alérgica imediata grave (anafilaxia)
● Uso de medicamento suspeito (como antibióticos ou anti-inflamatórios)
● Início da urticária imediatamente após ingestão de determinado alimento
● Dúvida diagnóstica (por exemplo, se a lesão não tem as características típicas de
urticária)
● Persistência ou recorrência frequente dos episódios
Quais exames podem ser considerados nesses casos?
Dependendo da avaliação clínica, o médico pode solicitar:
● Hemograma completo: pode ajudar a identificar sinais de infecção ou outros padrões
que auxiliem na investigação.
● PCR ou VHS: marcadores de inflamação, úteis em casos com febre ou outras alterações sistêmicas.
● Dosagem de IgE específica (RAST) ou teste alérgico cutâneo: apenas se houver forte suspeita de alergia alimentar ou medicamentosa.
● Função hepática e renal, TSH, dentre outros a depender da suspeita clínica.
Importante: testes alérgicos não são indicados de forma rotineira em todos os quadros de urticária, especialmente os de causa viral, pois podem levar a resultados inespecíficos e confusão diagnóstica.
E o tratamento?
O tratamento principal é feito com anti-histamínicos de segunda geração, que ajudam a controlar a coceira e as lesões. Em casos mais intensos, ou com angioedema, pode ser
necessário o uso de corticoides por curto período. O acompanhamento deve ser feito com o pediatra ou com um alergista, se os episódios forem recorrentes ou prolongados.
Conclusão
A urticária aguda na infância, embora assustadora à primeira vista, é geralmente benigna e de
curta duração. Exames só são necessários em situações específicas, com base em critérios clínicos bem definidos. O mais importante é observar a criança com atenção e contar com a orientação de um profissional qualificado — evitando exames e tratamentos desnecessários.


